Apesar da redução, traumas por acidentes são segundo motivo de mortes no Acre

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(Por Golby Pullig – Assessoria Sesacre)

Quando Anselmo Ricardo, 16 anos, terminar o ensino médio, terá no currículo escolar 90 horas de aulas teóricas sobre trânsito. Ele é um dos alunos do Instituto de Educação Lourenço Filho que participarão de curso destinado a estudantes com o objetivo de trabalhar, entre os jovens, educação e prevenção para o trânsito e que esteve presente na abertura do I Fórum de Educação para o Trânsito do Acre.

Educação e prevenção são as medidas de instituições governamentais de trânsito, educação e saúde e categorias profissionais para reduzir o índice de envolvimento de pessoas nessa faixa etária em acidentes e formar condutores mais preparados e conscientes.

O resultado do primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2011, indica redução no número de acidentes em Rio Branco, mas o índice de mortes ainda é alto. Entre janeiro e julho do ano passado, 481 pessoas foram internadas vítimas de acidentes de trânsito. Este ano o número caiu para 411. “O número pode parecer pequeno, mas representa uma economia enorme nos gastos com internação no Estado”, avalia Lúcia Paiva Luna, coordenadora estadual de Urgência e Emergência. Dos acidentes por transporte, o município de maior número de ocorrência tanto em 2010 como em 2011 é a capital, apesar de uma redução de 12,5% no número de óbitos, segundo o Sistema de Mortalidade (SIM).

O Acre está na 21 posição em causa de morte por acidente de trânsito no período entre 2000 e 2010. Em todo o Estado, os traumas são a segunda maior causa de mortes, antecedidos apenas de infarto agudo do miocárdio. Os motociclistas são os maiores agentes de acidentes. Representaram mais de 60% do número total no primeiro semestre em 2011.

“Em uma segunda-feira pela manhã é triste ver no Huerb a quantidade de jovens acidentados, mutilados, vítimas de acidentes de trânsito, principalmente de motocicleta, e de situações que poderiam ser evitadas”, destaca a secretária de Estado de Saúde, Suely Melo, lembrando que o impacto da imprudência é alto devido ao número de internações prolongadas e de custo elevado. “O prazo para conseguir uma cirurgia ortopédica no SUS está aumentando porque está crescendo a demanda que provém do número de acidentes.”

O Brasil ocupa 5 lugar no mundo em mortes provocadas pelo trânsito. Acidentes de moto respondem por 48% dos óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde. Levantamento dos indicadores contidos nas tabelas do DataSus indicam que o Sistema Único de Saúde gastou, em 2010, R$ 187 milhões com internações de vítimas de acidentes. Com este valor seria possível adquirir 1.557 ambulâncias do Samu e construir 130 UPAs 24 horas. Representa ainda sete vezes o valor gasto com vacinação contra a poliomielite em 2011 e cinco vezes o valor gasto com vacinação contra a Influenza, que beneficiou 24 milhões de brasileiros.

Para o presidente do Sindicato dos Instrutores de Trânsito, Alisson Pacheco, a Semana Nacional de Trânsito é uma oportunidade para que a sociedade aprofunde os temas sobre educação e conscientização. “É preciso trabalhar prevenção e noções de trânsito aos 6, 7, 8 até que, aos 18 anos, quando começarem a dirigir – fase de euforia pela velocidade -, os jovens já tenham plena consciência do que estão fazendo”, diz. A população entre 20 e 39 anos é a maior vítima de trânsito em todo o país.

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